
No caso do pagode, mesmo depois do declínio de grupos como É o Tchan (ligado ao lobby das gravadoras) na grande mídia, a oferta de CDs do estilo continua forte no mercado informal e estimula o surgimento de cada vez mais bandas adeptas à batucada. Se o resultado musical é bom ou ruim não cabe a mim julgar - particularmente não me atrevo a "botar a mão no joelho e dar uma abaixadinha", muito mesmo comprar um desses CDs. Mas cabe aqui relacionar o fenômeno com a crise da mediação nas mídias de massa. Da mesma forma que a divisão emissor-receptor começa a ficar menos clara em consequência das novas tecnologias da informação, esse hiato entre as bandas menos conhecidas, do subúrbio, e o público diminui através dos ambulantes. Gravar um CD e reproduzir algumas cópias está a alcance de qualquer um que tenha um mínimo conhecimento de produção musical. Depois disso, é só colocar o material nas esquinas. Apesar de não termos números dessa indústria das ruas em Savador, tomando como base a lotação das festas de pagode (aquelas de camisa, e colorida), podemos estimar o sucesso nesse esquema de distribuição. Da mesma forma que no jornalismo open source o cidadão não precisa da figura intermediária do jornalista para emitir qualquer opinião, nos ghetos das cidades os grupos colocam nas ruas o resultado do trabalho musical sem qualquer interferência externa.
O interessante é que, depois de alcançar a visibilidade ignorando as relações tradicionais, o que costuma acontecer na nossa cidade é nos depararmos com um grupo como Fantasmão, que jamais teve contato com qualquer gravadora, na grande mídia. Por experiência própria, já que trabalho na produção do telejornal Bahia Meio-Dia, por vezes buscamos num desses sucessos da periferia uma atração musical que deverá atrair a atenção da audiência. Mesmo que os jornalistas da redação nunca tenham ouvido falar da tal banda.
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