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Saturday, June 16, 2007

Internet destrói indústria cultural???

Navegando pelo G1, encontrei outro artigo interessante do Blog de Silvio Meira, que fala sobre como (e até que ponto) a Internet têm modificado a nossa cultura, principalmente a partir da Web 2.0, que dá agora também à audiência uma certa liberdade de produção de informação.

Compartilho o texto com vocês:


A nova indústria cultural

Estamos vivendo o fim da industria cultural estabelecida a partir de Gutenberg. Uma outra está tomando, devagar, seu lugar. Que outra? E quando, e como?

Andrew Keen, autor do polêmico A Cultura do Amador, fez um sumário do texto em dez pontos, uma espécie de manifesto anti-web2.0. O subtítulo do livro diz quase tudo: como a internet de hoje está matando nossa cultura. O primeiro ponto do decálogo é… o culto do amador é a ilusão mais sedutora da utopia digital... pois sugere, de forma enganosa, que todos têm alguma coisa a dizer. Lá no fim, o autor diz que a conseqüência do descontrole dos desenvolvimentos digitais será a vertigem social,... pois tudo estará em movimento e será apenas opinião.

Theodor W. Adorno, o mais importante filósofo alemão do pós-guerra, escreveu um texto fundamental para o entendimento da “indústria cultural”, exatamente aquela que, segundo Keen, está sendo “destruída” pela internet. Segundo Adorno, a indústria havia limpado o “lixo” da cultura, domesticando, aperfeiçoando ou proibindo os amadores ou, na prática, a disseminação de sua produção. Ao mesmo tempo, a padronização, os estilos comuns e a massificação levariam, segundo o pensador, à comoditização da cultura, transformando-a em anúncio, ou quase. Era um pressentimento da primeira MTV. E no fim da Segunda Guerra, onde Adorno via também o fim do mercado livre.



De lá pra cá, o mundo mudou, caíram cortinas e muralhas e -- até por causa disso -- apareceu a internet, a máquina de inovação que, entre tantas outras coisas, também publica. Muito, tudo e de todo mundo. Nem todo mundo, claro, tem alguma coisa relevante a dizer para todo o resto do mundo, no sentido da indústria jornalística. Ela, aliás, já não derruba presidentes ou inicia revoluções como no passado. Mas todo mundo tem alguma coisa a dizer para algum público, nem que seja sua família e amigos. Pelo menos por algum tempo.

Nada é mais importante, em benefício do próprio futuro da indústria cultural, que quem queira se manifestar que o faça. Alto e bom som. E pra todo mundo. Quem quiser leia (veja, ouça…) e goste. Ou não. Problema de cada um. Só não venham limitar o nosso direito de dizer o que bem queremos.

Estamos vivendo apenas mais um estágio da "indústria cultural", agora veiculada pela web, onde os mecanismos de refinamento que a cultura sempre teve, para selecionar e separar o que era "significativo" do que não era foram descontrolados. Como em um famoso cartoon do começo da internet, qualquer um pode ser relevante: no momento, basta ter audiência. Mas o momento muda e o refinamento acontece, passo a passo, à medida em que vamos entendendo o que e quem vale a pena ler, ver ou ouvir. E trata-se de um processo educativo para todos.

A diferença, hoje, é que a prensa (virtual) de Gutenberg está em sua versão web 2.0, democratizando os meios de produção de informação a níveis nunca antes imaginados pela tal "indústria cultural". É isso que gera o caos "denunciado" por Keen em seu manifesto. Mas não há, nem precisa haver, desespero. Não estamos chegando no fim do mundo, mas no começo de um novo tempo. E o tempo, a prática, os processos de seleção natural, em conjunto, vão criar as novas relevâncias e restabelecer alguma ordem. Não, e nunca mais, toda a ordem que já existiu quando os donos de jornais e editores decidiam o que imprimir e distribuir.

Assim como Gutenberg desorganizou o poder de reis, igreja e mosteiros com a prensa de tipos móveis, a indústria cultural está sendo modificada para sempre pela liberdade criada pela web. As empresas, suas estruturas e práticas organizacionais vão pela mesma estrada. Para sempre. Sem volta. Mas não estamos indo para o caos puro e simples, e sim para um mundo muito mais diverso, sofisticado e complexo… e mais, bem mais difícil de entender e administrar. Bem-vindos. É só mais uma parte do futuro começando…

Silvio Meira

Saturday, May 12, 2007

Consumo, liberdade e prisão

Nas aulas de André Lemos, falamos muito sobre as inovações tecnológicas, muitas que já nos cercam e outras que estão por vir. Discutimos também a diferença entre necessidade e desejo, o que me fez pensar que a tecnologia, nos fez suprir necessidades, concomitante a criação dos desejos. Sempre tivemos a necessidade de nos comunicar e a partir dela, perpetuar a nossa história. Veio a comunicação oral, pintura rupestre, escrita, a imprensa de Guttemberg e o telefone de Graham Bell, que possibilitou criar outras tecnologias como a própria internet. Nossa necessidade de comunicar acompanhou a nossa evolução enquanto sociedade e à própria expansão do homem sobre o espaço geográfico.

Hoje temos tecnologias de comunicação e de envio de dados que nos permitem comunicar, de forma rápida, com qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo. Parece ser o suficiente, mas não é. A cada tecnologia inventada, é despertada no homem outra necessidade, ou um novo desejo. Posso explanar da seguinte forma: li na revista Carta Capital, que está sendo lançado no mercado popular, um computador pessoal com capacidade de armazenamento de 1TB. Me perguntei o que é um TB? Pois bem, um TeraByte é correspondente a 1.000 GB. Lembrei que em casa tenho um pc de 2 hd´s, um de 40GB e outro de 80GB e que me satisfaz completamente.

É assim, mesmo que não tenhamos a real necessidade, sempre buscamos ser mais capazes, velozes e interativos. No caso do pc de 1TB, sei que ele será útil para empresas, mas nem tanto em residências. Este desejo, antes intrínseco no homem se torna consumo, que por sua vez desperta a necessidade do novo, do mais veloz, do mais capaz. Num outro recorte, vem a tecnologia aliada à manutenção do estatus quo, como no exemplo do celular (ou Dispositivo Híbrido de Comunicação Móvel - HCM) V3 Dolce Gabana. É a tecnologia associada a uma marca e outro valores imbutidos que só distorcem a verdadeira função do dispositivo; ou que na verdade dá uma nova função: de manter o stablishment, a posição social.

Internet discada (barulinho do modem), banda larga, wireless. Memórias portáteis cada vez mais capazes, conexões mais rápidas, computadores mais velozes, entre outras, são tecnologias que libertam, mas que ao mesmo tempo nos aprisionam. Nos libertam porque podemos romper as barreiras geográficas permitindo uma comunicação instantânea, porém nos aprisionam, quando reconfiguram nossa cultura nos tornando dependente delas. Não sei se perceberam, mas este é o meu primeiro post neste blog. Até então não consegui blogar porque o convite não chegava até o meu e-mail e fiquei na dependência disto para postar e ser avaliado na disciplina. Hoje estamos o tempo todo conectados de uma forma ou de outra, seja com o celular, na internet ou de outra forma. Como André Lemos mesmo falou, "não dá para voltar e fazer um mundo sem carros, sem internet...".