Na aula do dia 23, o tema "inclusão digital" foi bem recorrente. Segue uma entrevista que aborda o assunto concedida por uma das figurinhas mais repetidas desse blog: Sérgio Amadeu.
A matéria é do Jornal A Tarde, caderno Digital, e foi feita pelo repórter Rodrigo Vilas Bôas.
"O governo está tímido em relação à inclusão digital"
Um dos principais ícones e defensores do software livre no Brasil, Sérgio Amadeu da Silveira acredita que o Brasil não conseguirá romper com a miséria se não apostar na educação massiva e nas tecnologias do futuro.
Em passagem por Salvador, na semana passada, ele participou do debate de abertura da III Semana de Software Livre da Faculdade de Educação (FacedUfba). Sociólogo e doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP), Silveira já presidiu o Instituto Nacional da Tecnologia da Informação (ITI), de 2003 a 2005, foi membro do Comitê Gestor da Internet no Brasil. Em entrevista exclusiva ao repórter Rodrigo Vilas Bôas, ele fala sobre inclusão digital e expansão dos softwares livres no País. Amadeu opina sobre o papel do governo em relação à inclusão e comenta sobre o futuro da Microsoft em relação aos softwares livres. Na avaliação dele, graças a esses softwares, jovens talentosos vão poder se destacar no mercado de trabalho, criando produtos interessantes e de boa qualidade.
A TARDE A inclusão digital depende de elementos como o computador, o telefone e o provimento de acesso à formação básica em softwares aplicativos. Em que ela esbarra no Brasil?
SÉRGIO AMADEU Nenhum país com tecnologias ultrapassadas consegue dar um salto em direção ao desenvolvimento. O governo brasileiro está sendo tímido em relação à inclusão digital. Existe uma incompreensão do que ela significa. Inclusão digital não é computador. É um amplo processo de capacitação, que engloba unidades de acesso coletivos gratuitos, monitores e suporte técnico.
AT O que está faltando?
SA O governo federal deveria reunir os governos estaduais e fazer um processo de organização das políticas públicas de inclusão digital. Definir o papel dos estados e municípios. Defendo o uso do computador como um elemento que possa ampliar as possibilidades de ensino e a aprendizagem. As escolas do jeito que estão hoje, no entanto, são incapazes de preparar a sociedade. Acredito que a máquina em si não faz nada. Mas as crianças em rede podem gerar um processo sinergético que pode revolucionar a educação.
AT Utilizar softwares livres nas escolas ajudaria a revolucionar a educação?
SA Os governos devem usar os programas de software livre. A Bahia já começou a fazer isso. É preciso incentivar o uso de computadores que já venham com softwares livres instalados. Dessa forma, a lógica de utilização vai se disseminando nos usuários.
AT O que está faltando para o software livre explodir?
SA O uso do software livre é uma mudança de paradigma, de cultura. Para que ele se implante, é necessário superar todo o processo que mantém o software proprietário na residência das pessoas.
AT Quais as vantagens do software livre?
SA O monopólio mundial de softwares sempre viveu de cobrar licença de empresas, instituições e governos. O código-fonte do software livre é liberado e não está restrito a um país. Isso beneficia o desenvolvedor local ao permitir que ele conheça a aplicação do software que está usando.
AT A Microsoft não vê com bons olhos o software livre. Isso não dificultaria a sua disseminação?
SA A tendência da Microsoft é aderir, num futuro próximo, ao software livre. Colaborar é mais eficiente do que competir. Ela vai resistir, tentar açambarcar, envolver, mas será derrotada.
AT Aliás, muitas empresas já estão aderindo...
SA Os governos da Europa e o do Brasil estão optando por usar formatos abertos. Não é interessante ficar amarrado no formato de uma única empresa. O Open Document Format (ODF), por exemplo, é um formato de texto bastante utilizado, uma necessidade de interoperabilidade e comunicabilidade.
AT Você pode explicar melhor o que é o ODF?
SA É um padrão para a produção de texto. Salva-se hoje em .doc, que é um formato proprietário. Quando se usa um padrão aberto, independe do software. Se deixar de existir incompatibilidade de formatos, o consumidor poderá escolher softwares legais e sem licença de propriedade.
AT E como fica a concorrência de softwares?
SA Haverá disputa de vários produtos dentro do mesmo padrão. A diferença é que o consumidor não terá mais problema ao usar um software específico para abrir os documentos na máquina. O software livre permitirá que jovens talentosos se destaquem no mercado de trabalho, criando produtos interessantes e de boa qualidade. Já os softwares proprietários, não permitem isso. O desenvolvimento é concentrado nos países de primeiro mundo, que controlam o conhecimento.
AT Em quais ramos está se expandindo o software livre?
SA O software livre está crescendo muito no ambiente de redes e eletroeletrônicos. Os empresários precisam embarcar softwares em seus produtos. Daí eles escolhem softwares mais estáveis e que permitem adequação total ao seu produto. A melhor opção são os códigos de fonte abertos, pois não exigem acordos de confidencialidade nem pagamento de royalties.
AT O governo japonês está diminuindo a dependência de plataformas da Microsoft, priorizando soluções abertas para a administração pública. O modelo pode se repetir no mundo?
SA Há uma percepção maior hoje de que a lógica do licenciamento proprietário é perversa em relação ao Estado. O software proprietário é como comprar e não levar para casa. Quando se faz uma licitação e se adquire um software livre, cria-se a possibilidade de se fazer alterações com qualidade e menor custo. Não se fica na mão de nenhuma empresa por não possuir o código-fonte.
AT Quem já aderiu ao código livre no Brasil?
SA Por motivos de segurança, o Exército Brasileiro já fez processo de migração para o software livre. Um código-fonte fechado é inseguro pelo simples fato de não se saber o que se tem dentro dele. Já o aberto permite a auditabilidade plena sobre o produto usado. O Banco do Brasil usa software livre. A Caixa Econômica Federal está migrando 25 mil máquinas. Programas do governo federal fazem o mesmo. O futuro é livre.
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Wednesday, May 30, 2007
Monday, May 21, 2007
Sérgio Amadeu x Microsoft

Apesar de ser um assunto velho (2004), fiquei curiosa com relação a fala de André Lemos, na aula de hoje, quando citou uma "comparação" que Sérgio Amadeu, uma das principais autoridades do governo brasileiro no projeto de incentivo ao uso de software livre, fez entre a Microsoft e o tráfico de drogas. Segundo Amadeu, a estratégia da empresa de ofertar a gestores do poder público o sistema operacional Windows, sem a cobrança imediata do pagamento das licenças de uso, era como a “prática de traficante”.
Estou aqui pesquisando sobre o assunto, para entender melhor o que aconteceu. Encontrei textos interessantes, inclusive um que fala em uma "campanha de solidariedade" ao Sérgio Amadeu. Seguem trecho do texto e outros links.
Lançada campanha em solidariedade a Sergio Amadeu
A Microsoft decidiu interpelar judicialmente o presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI), Sergio Amadeu, uma das principais autoridades do governo brasileiro no projeto de incentivo ao uso de software livre. Amadeu recebeu uma notificação judicial e deve responder nesta quarta-feira (15) o pedido de explicações protocolado pela empresa norte-americana em função de declarações publicadas na matéria da edição de 17 de março da revista Carta Capital intitulada “O Pingüim Avança”.
O argumento apresentado pela Microsoft à Justiça Federal é de que algumas das colocações do presidente do ITI divulgadas pelo periódico semanal poderiam ser enquadradas como crime de difamação previsto na Lei de Imprensa. A matriz brasileira do megamilionário Bill Gates questiona a comparação - atribuída a Amadeu na revista - entre a estratégia da empresa de ofertar a gestores do poder público o sistema operacional Windows sem a cobrança imediata do pagamento das licenças de uso e a “prática de traficante”.
“Não disse as coisas dessa maneira, mas questiono, sim, a adoção do que chamamos de técnica de aprisionamento”, afirma Sérgio Amadeu, comandante da autarquia ligada ao Ministério da Casa Civil. Essa técnica, explica no artigo “A indústria monopolista de software quer instituir a censura sobre suas vulnerabilidades” o professor Pedro Rezende, do Departamento de Ciência da Computação da Universidade de Brasília (UnB), “a obsolescência e a dependência (a padrões fechados) precisam ser programadas para garantir-lhe a segurança do negócio”. “No caso das drogas”, observa o professor, “é a própria fisiologia do organismo consumidor que provê essa programação, mas no caso do software essa programação precisa ser embutida no objeto de consumo”.
Leia na íntegra!
A ação de apoio (abaixo-assinado virtual) divulgado na época - ainda recolhe assinaturas!
Site do Terra: MS esclarece pedido de explicação a diretor do ITI
Estou aqui pesquisando sobre o assunto, para entender melhor o que aconteceu. Encontrei textos interessantes, inclusive um que fala em uma "campanha de solidariedade" ao Sérgio Amadeu. Seguem trecho do texto e outros links.
Lançada campanha em solidariedade a Sergio Amadeu
A Microsoft decidiu interpelar judicialmente o presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI), Sergio Amadeu, uma das principais autoridades do governo brasileiro no projeto de incentivo ao uso de software livre. Amadeu recebeu uma notificação judicial e deve responder nesta quarta-feira (15) o pedido de explicações protocolado pela empresa norte-americana em função de declarações publicadas na matéria da edição de 17 de março da revista Carta Capital intitulada “O Pingüim Avança”.
O argumento apresentado pela Microsoft à Justiça Federal é de que algumas das colocações do presidente do ITI divulgadas pelo periódico semanal poderiam ser enquadradas como crime de difamação previsto na Lei de Imprensa. A matriz brasileira do megamilionário Bill Gates questiona a comparação - atribuída a Amadeu na revista - entre a estratégia da empresa de ofertar a gestores do poder público o sistema operacional Windows sem a cobrança imediata do pagamento das licenças de uso e a “prática de traficante”.
“Não disse as coisas dessa maneira, mas questiono, sim, a adoção do que chamamos de técnica de aprisionamento”, afirma Sérgio Amadeu, comandante da autarquia ligada ao Ministério da Casa Civil. Essa técnica, explica no artigo “A indústria monopolista de software quer instituir a censura sobre suas vulnerabilidades” o professor Pedro Rezende, do Departamento de Ciência da Computação da Universidade de Brasília (UnB), “a obsolescência e a dependência (a padrões fechados) precisam ser programadas para garantir-lhe a segurança do negócio”. “No caso das drogas”, observa o professor, “é a própria fisiologia do organismo consumidor que provê essa programação, mas no caso do software essa programação precisa ser embutida no objeto de consumo”.
Leia na íntegra!
A ação de apoio (abaixo-assinado virtual) divulgado na época - ainda recolhe assinaturas!
Site do Terra: MS esclarece pedido de explicação a diretor do ITI
Blog do Sérgio Amadeu: http://samadeu.blogspot.com/
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